O grande problema com os jogos em mídias digitais

A forma de aquisição de jogos de vídeo games que está nos prejudicando e aparentemente não nos damos conta disso.

No meu tempo era melhor

Eu cresci nos anos 80/90 e naquela época as locadoras de vídeo games estávam quase sempre lotadas. E não era apenas dentro delas que se formava um exército de crianças. Do lado de fora eram outras miríades de pequenos capetas esperando sua vez, ou apenas observando e gritando (na verdade berrando) dicas de golpes, fatalities ou brutalities que haviam aprendido em alguma revista.

A dona do estabelecimento tinha um caderninho que anotava a lista dos próximos gamers e caso eles não comparecessem em um prazo estipulado a fila andava. Quase sempre entrava-se em dupla, mesmo quando o jogo era single player.

Sempre tinha aquele amigo pra te dar aquela força. Tinha até o corujão: As crianças passavam a noite inteira na locadora. Minha mãe nunca me deixou fazer isso.

Nesse inferninho estava eu, com uma moeda no bolso e o coração batendo forte. Afinal não era todo dia que eu podia estar ali. Meus irmãos mais velhos sempre tinham mais grana e quando eu ia com eles eram muitas vezes duas ou três horas de jogo, as vezes até mais.

Quando criança nunca tive um vídeo game, mas tive alguns amigos que sim. Atari, Sega ou Super Nintendo. Tinham alguns pouquíssimos jogos. É por isso que tanto moleque daquele tempo era fera em alguns jogos. Capazes de fizalizá-los em apenas minutos. Era apenas um jogo comprado por ano.

“Assim até eu fico fera.” – Thor

A nova geração

Tenho inveja do meu futuro filho. Esse com certeza terá um vídeo game mesmo antes de conseguir segurar um controle e provavelmente terá a sua disposição qualquer jogo que quiser.Não tenho muito tempo para jogar como gostaria mas quando consigo procuro um jogo de puzzle na loja do Xbox.

“Quantas opções! Quanta variedade! Tá muito barato!” – Eu na Xbox store

Todas essas grandes lojas de jogos (Playstation Store, Xbox Store e Steam) trouxe pra nós uma facilidade em vários sentidos para aproveitar o melhor do console. Mas nem tudo é perfeito.

O que é seu não é seu

Todo mundo hoje em dia se acostumou a não possuir de fato produtos digitais como, ebooks, discos, filmes e séries. Da mesma forma poucos estão comprando jogos em mídias físicas para seus consoles.

“Mas cara você precisa deixar de se apegar as coisas. Os tempos são outros. Não existe mais essa coisa de possuir algo.” – Um amigo

“Quem disse? Eu quero ter meus jogos e quero poder vender, emprestar, trocar ou até doar pra alguém que ainda não jogou, por que o jogo é meu.” – Eu versão ativista

Mas de fato o meu jogo não é meu, de acordo com a DRM. Se o meu vizinho quiser jogar o jogo que eu finalizei vai ter que comprar a sua permissão na loja virtual ou terá que comprar a mídia física muitas vezes mais cara que a versão digital.

Será que estamos ganhando como consumidores com esse modelo de negócio, ou são as grandes empresas?

A resposta para mim é clara. É muito bom a facilidade apresentada por essas lojas virtuais, mas acredito que precisamos conversar sobre a DRM e pensar em novos meios para que possamos realmente ter aquilo que temos e fazermos o que bem entender com aquilo que possuímos.

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